Archive for the “São Paulo” Category
Os sádicos governantes de São Paulo não instalaram banheiros públicos nas estações de metrô, forçando os apertados passageiros a se virarem pelos bares que banham as entradas das estações. Faz-se uma peregrinação singela rumo às espeluncas.
Não sei que centelha de auto-flagelação comanda meus rins e bexiga a ficarem próximos de estourar justamente quando chego à Rua dos Banheiros Quebrados.
Em qualquer dia, em qualquer bar próximo à Estação Tucuruvi, o banheiro não estará funcionando. Uma onda-Murphy varre a possibilidade de alívio dos transeuntes necessitados na Rua dos Banheiros Quebrados. É uma rua sem esperança: o deserto do bom funcionamento, o cemitério do extravasamento… assim é a triste Rua dos Banheiros Quebrados.
Não adianta ser simpático com os funcionários dos bares, o banheiro estará indisponível para uso. Apenas uma solução: consumir assim que chegar ao bar. Pedir o banheiro antes de tomar alguma coisa (peça algo de comer, não tome), ouvir “quebrado” e depois sugerir consumo desmentiria o dono do bar e o orgulho egoísta e mesquinho dele não permitira isso…
Certa vez eu me encontrava no estágio bailarino da inundação bexigal: contorcia-me como um dançarino de hip-hop. Aquela centelha de auto-flagelação levou o problema, claro, diretamente à Rua dos Banheiros Quebrados. No meu bolso estava apenas a passagem de ônibus.
Abandonai toda a esperança, disse aquele rapaz Dante depois de Cristo…
Antes de Cristo, escreveram no I-Ching: “o persistente encontrará fortuna”.
Murphy sorria para mim com olhos de ressaca.
Entrei no bar, uma pastelaria, dançando a minha dança da contorção. Olhei nos olhos do rapaz do caixa. Creio que ele compreendeu tudo. Implorei pelo banheiro. E…
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O que o Saddam e a Cicarelli têm em comum? São mais dois famosos do TouTube e afins. A segunda é tão famosa quanto o primeiro e muitas vezes mais idiota.
É absurdo o nível a que a excucação chegou. Estão vendendo bonecos do enforcado. Não vou criticar a execução do ditador, até porque ainda não decidi se sou ou não a favor da pena de morte. Às vezes sou sim, a favor. Outros países condenam o ato americano. Cidadãos comemoram, cidadãos choram, eu odeio tudo isso. Só estou curioso em saber por que ele foi o único ditador a ser executado… E mais curioso ainda em saber o que vai ser do velho país. Algo pior que Saddam, talvez?
A Cicarreli conseguiu a proeza de tirar o YouTube do ar para o brasileiros. Claro que isso não acabou com a proliferação do video em que ela e o namorado transam na praia. Existem outros sites que fazem a mesma coisa. Além do mais, é ridículo pensar que um site pode controlar milhões de usuários. É possível fazer o upload do video com diversos nomes, barrando qualquer tipo de bloqueio. Estão planejando boicote aos seus programas, e sabe-se lá o que mais acontecerá. Ela mexeu com a raça dos internautas, que Deus a ajude.
Eu sou da opinião de que o mundo está chegando ao seu limite. Já não há mais relações saudáveis entre nada e ninguém. Eu quero fugir para alguma cidade mais “natural” e menos estupidamente tecnológica, superpopulosa e repleta de ridículos. Nunca mais quero, por exemplo, ver qualquer tipo de propaganda. Nem trânsito, nem ameaças de bomba no metrô, nem chacinas, nem ônibus queimados. Credo!
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Esta é a última parte sobre a interessante vida dos Busai.
Esta é a menor parte, é aquela parte sobre a qual o autor não pensou direito.
Esta é a parte conclusiva que decepciona os fãs esperançosos de encontrar emoção.
Vamos a ela, enfim:
Os Busais são eternos enquanto são obrigados. O fim de um Busai acontece quando ele não precisa mais tomar ônibus. Como vocês devem ter deduzido, os Busai lutam a vida toda para deixarem de ser Busai. E agora um final um pouco surpreendente, ou nada:
Busai é um termo pejorativo.
É uma pena ser um Busai.
PS: Perdão pelo fim sem graça, mas ele tem uma boa justificativa:
Hoje eu passei por um daqueles dias horríveis em transportes coletivos. Cheguei em casa apenas 3h depois de sair da USP. Tudo relacionado a ônibus está hoje especialmente aversivo. Quero acabar com isso de uma vez.
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NO POST ANTERIOR: O QUE É UM BUSAI
NESTE POST: AS HABILIDADES DE UM BUSAI
Toda a arte Busai tem a finalidade de diminuir o sofrimento das viagens de ônibus e metrô. O sonho de todo Guerreiro Busai é sentar-se à janela, mas somente os experientes conseguem o feito. Sentar-se ao corredor também requer rara habilidade. Ficar de pé fora do aperto é motivo de orgulho para muitos Busai. Afora isso, existe ficar de pé no aperto sem sentir-se infeliz. Uma conquista complexa é não desejar a morte alheia, ainda que o Guerreiro sinta-se infeliz.
Para atingir esses objetivos os Busai necessitam desenvolver habilidades especiais. O conjunto de habilidades de um Busai é conhecido como o EMAP (Entrada, Movimento, Atenção, Posição). Há ainda duas habilidades só possuídas pelos guerreiros que não sucubiram ao lado negro. Essas habilidades impedem que os Busai não corrompidos atinjam o nível de conforto que os Busai degenerados alcançam, mas mantêm sua sanidade. Os Busai do lado negro são mais poderosos, mas o poder os leva à loucura, como vocês verão daqui a dois parágrafos.
ENTRADA: O momento de entrada no ônibus é fundamental para o sucesso de ir sentado. Guerreiros experientes conhecem qual o lugar mais provável do ponto de ônibus em que o motorista abre a porta. Quem entra primeiro, tem mais chance de ir sentado. MOVIMENTO: Locomover-se dentro do ônibus requer equilíbrio e graça; quem se move melhor, vê mais e ganha mais terreno. Há a lenda do grande mestre que conseguia executar o triplo mortal carpado em um ônibus cheio. ATENÇÃO: Este é um dos principais tópicos. É necessário que o Busai conheça a mente das pessoas com quem dividem o ônibus. Qualquer movimento suspeito pode significar que a pessoa se levantará; atenção é fundamental. POSIÇÃO: De nada adianta a atenção e o movimento se a posição não for favorável. Por sua vez, para se posicionar de maneira que permita sentar-se rapidamente, é preciso dominar a arte da Atenção e do Movimento. As habilidades estão todas relacionadas.
Como eu disse que aconteceria, neste parágrafo serão descritas as duas habilidades que somente os guerreiros não corrompidos possuem. Tratam-se da PACIÊNCIA e do RESPEITO. Um guerreiro Busai não toma o lugar de grávidas, idosos, deficientes físicos e pessoas carregando cem quilos de sacolas, entre outros casos. Para resistir ao cansaço e à tentação, um Busai conta somente com o respeito e a paciência. Os guerreiros Busai do lado negro, é óbvio, roubam lugares indiscriminadamente sem se sentirem culpados. Não vale a pena chegar a esse ponto, porém. Os guerreiros Busai são sofredores, mas ainda assim humanos.
a seguir: O FIM DE UM BUSAI
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O QUE É UM BUSAI
Sim, Guerreiros Busai é um nome horripilante. Jedi é mais bonito, sim. Mas pelo menos os Guerreiros Busai são reais, enquanto os Jedi são sonhos de Lucas.
Um Guerreiro Busai é todo aquele que é obrigado a se locomover de ônibus freqüentemente. A parte do “obrigado” é muito importante, como vocês descobrirão na próxima frase. Além do fato de que habilidade requer treinamento, e treinamento em Busai requer muitas viagens de ônibus, tem também a verdade de que ninguém é louco o suficiente para sair por aí de ônibus só por diversão.
Os Guerreiro Busai, ao contrário dos Jedi, não escolhem seu destino, e é isso que os torna essencialmente trágicos. A arte dos Jedi objetiva o aperfeiçoamento do artista, a arte dos Busai objetiva terminar com o sofrimento do coitado. Os Jedi são confiantes, corajosos, possuem The Force. Os Busai são cansados, sofridos e possuem The Forced. The Force significa A Força, The Forced significa O Forçado. Os Busai são forçados a andarem de ônibus, como esclarecido acima.
As condições de treinamento são severas. No nível básico, o Busai entra em um ônibus ou metrô vazios, e fica pouco tempo. As condições se tornam mais pesadas conforme dois fatores aumentam, a quantidade de tempo dentro do ônibus e quantidade de pessoas dentro do ônibus. Os Busai mais poderosos (ou sofridos) utilizam o transporte por mais de 4 hs/dia no horário de rush de São Paulo. Esses guerreiros lendários são conhecidos como os mestres e seu conselho sábio paras os jovens aprendizes (os Dançarâm) é que encontrem empregos mais próximos e desistam se se tornar um Busai. Devido à estrutura econômica contemporânea, poucos são os que podem escolher abandonar o caminho da dor.
A seguir “HABILIDADES DE UM BUSAI”
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