Archive for the “Literatura” Category

Depois de uma Idade Média sem leituras, voltei ao mundo dos livros que não são de Psicologia. Ainda não voltei à literatura, porém.

Estou lendo dois livros que ajudam a pensar. Vou falar mais sobre cada um deles:

Cultura Geral
Quando eu vi esse livro na prateleira, fiquei coçando de vontade de comprar. Dei uma folheada e percebi que o livro abrange muita, muita coisa. Essa aparente qualidade normalmente se desdobra em um problema: uma abordagem resumida demais dos fatos.

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Agora o estou lendo e vejo que estou certo, os fatos são apresentados de maneira resumida. Eu estava errado, porém, quando pensei que isso era um problema. O autor, Dietrich Schwanitz, mostra os acontecimentos de forma fluente e às vezes bem humorada. Conta uma história do mundo, descrevendo desde os gregos os caminhos que nos tornaram quem somos. Fala do caminho da política e da economia, da arte plástica, dos filósofos, da literatura e das línguas.

O fato de o livro ser resumido e deixar, necessariamente, muita coisa de fora, produz a vontade de conhecer mais. O livro me fez ter vontade de pesquisar vários tópicos, o que me fez ter uma visão mais aprofundada do tema. É um livro que leva a outros, e leva à curiosidade. Ele está na minha cabeceira, esperando-me paciente para me contar um pouco sobre o mundo todo. É meu avô de cabeceira.

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O mundo assombrado pelos demônios
Este livro do Carl Sagan todo mundo conhece, já ouviu falar. Um dia é preciso pegá-lo na mão e lê-lo. Estou fazendo isso agora, com uma voracidade crescente. Sagan fala sobre a ciência e sobre a pseudociência, dando exemplos de ambas. Defende a superioridade do método científico em conhecer a natureza e utiliza, dentre outros, um argumento muito bacana: a ciência nos torna novamente crianças curiosas, prontas a saber de tudo e a duvidar de qualquer coisa que nos pareça errada.

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O modo como Sagan escreve me lembra das aulas do meu professor de Psicologia Experimental, com o qual posteriormente trabalhei enquanto estava na graduação. Ambos vão desfiando diversos temas seguidamente, dando a impressão de que eles não se relacionam e, então, falam alguma frase ou palavra mágica, e todos aqueles temas se juntam em uma compreensão geral da natureza da ciência ou da bobagem pseudocientífica.

Estou tremendamente curioso para saber a opinião de Sagan a respeito da Psicologia. Ele deixou antever que a considera uma ciência, mas não sei o quanto tratará dela e com que habilidade, já que é um astrônomo. A opinião me interessa muito porque Sagan considera a Psicanálise e a Parapsicologia como pseudociências, como eu. O que é ciência psicológica?

O livro é um monumento à arte de pensar.

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A convite do Catatau, decidi participar do meu segundo meme. O primeiro foi em relação a livros que mudaram a minha vida, feito pela Maga. E agora este, sobre livros que não mudaram a minha vida.

Não é preconceito contra Psicanálise, mas os dois primeiros livros que vou citar estão relacionados à dita. O primeiro é um livro assustador que li em uma respirada. Chama-se “Freud para Crianças” (Louise Armostrong). Nesta obra, desenhos mal feitos são alternados com más explicações sobre a Psicanálise. No livro, o pobre garotinho, personagem principal, era ensinado sobre inveja, ódio e por que odiava o pai e queria ter relações intensas com a mãe. Tudo com muito mal gosto. Na esteira, decidi ler “Édipo Rei” (Sófocles) para entender de onde Freud havia tirado o mais famoso evento psicológico da humanidade. E me decepcionei. Compreendi que o psicanalista escolheu Édipo por ele ter cometido o incesto sem saber que o estava fazendo (ou seja, de forma inconsciente), mas descobrir isso definitivamente não mudou a minha vida. Ainda não descobri por que Freud escolheu o incesto…

Li “Os Sofrimentos do Jovem Werther” (Goethe) esperando encontrar um livro revolucionário. Ele foi um dos precursores do romantismo, afinal! No entanto, descobri que eu devia ter conhecido Werther há dois séculos atrás, quando ele ainda era novidade. Hoje, a idéia romântica do jovem platonicamente apaixonado não é nova. A história do livro é bacana, sim, mas minha vida continuou igualzinha após a leitura.

Durante um tempo, a li alguns livros sobre como escrever, dicas para escritores, etc. Na época, eu acompanha o blog de um literato, blog do qual eu gostava muito. Assim que este blogueiro lançou um livro sobre a artes de escrever, corri para comprar. Depois de uma boa luta, consegui uma cópia do “O Cabotino” (Paulo Polzonoff Jr.) e me decepcionei perdidamente. Nada do que li ali foi de valia para mim. Qualquer blog sobre o assunto dá dicas mais interessantes do que as contidas no livro.

Finalmente, o quinto livro que não mudou a minha vida: “Terapia Cognitiva: Teoria e Prática” (Judith Beck). No livro, Beck descreve as técnicas e exemplos de casos realizados pela abordagem cognitiva. As definições e procedimentos são esteticamente interessantes, mas o livro não me ensinou nada mais efetivo do que a abordagem com a qual trabalho. O livro de Beck tornou-se, para mim, um guia de como falar sobre terapia cognitiva. Minha vida não mudou por que até agora não precisei falar sobre o assunto… Quem sabe a Beck não seja retirada da lista no futuro.

Gostei muito do tema. Estou curioso para ver a resposta dessas 5 pessoas: Maga, Alessandro, Pimenta, Aécio e Marcus.

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Jorge Luis Borges, o escritor argentino, tinha muitas idéias interessantes. Para nossa sorte, era um contista maravilhoso. Confesso que não li muitos dos seus textos. Mesmo assim, tenho uma paixão louca por algum dos seus contos.

Um dos textos mais impressionantes de Borges é a “A Biblioteca de Babel” (link para o conto completo em espanhol), que fiquei conhecendo neste post do Alessandro Martins. A idéia de uma biblioteca em que todos os possíveis livros existem é genial. A Biblioteca é o Universo em sua infinitude. É impossível para qualquer ser humano conhecer um pedaço significativo do todo, por mais dedicado que seja em sua busca.

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Uma versão da Biblioteca de Babel

 

O livro que você sempre quis ler está na biblioteca, mas a probabilidade de que você o encontre é infinitesimal. Vale a pena passar a vida a procurá-lo? A minha imaginação não me permite visualizar uma biblioteca infinita, sou travado pelo conhecimento do que consigo enxergar. Gosto de pensar na distribuição dos livros principalmente na horizontal, e não em uma torre. Não gosto de olhar o infinito de baixo.

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A Biblioteca de Babel em outra versão

 

Há algum tempo atrás eu encontrei, no Ueba, esta obra maravilhosa. Ela pode ser considerada uma representação ínfima de como seria a verdadeira Biblioteca de Babel. Se você clicar no link, vai para uma página em que estão TODAS as possíveis combinações de palavras com 4 letras. Todas! Use a ferramenta “localizar” do seu browser para se divertir. Essa quantidade imensa de palavras é praticamente nula quando comparada à biblioteca de Borges. Para se ter uma idéia, basta lembrar que no Universo do argentino existe um livro para cada ordem em que essas combinações de palavras de 4 letras é apresentada…

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Esta é minha versão preferida

 

Existe um livro, ou muitos deles, que revela, letra a letra, toda a história da sua vida. E outros que registram todos os seus pensamentos. Este texto está escrito em algum livro da Biblioteca. Talvez em alguns bilhões deles.

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Como é a Biblioteca por dentro?

 

Outro conto do qual gosto muito é o “Funes, o memorioso” (link para o conto completo). Ao mesmo tempo em que gosto da descrição do homem que não podia esquecer e, como conseqüência, não formava conceitos, imagino uma versão alternativa do Funes. Pensei, certa vez, em escrever um conto chamado “O outro Funes”. Esse novo Funes também seria incapaz de esquecer, mas ao mesmo tempo teria a habilidade de controlar o fluxo de pensamentos. A memória dele seria tão completa e complexa, que ele poderia viver uma situação agradável quantas vezes quisesse, sem que precisasse de qualquer esforço senão decidir revivê-la. Imaginei-o um homem magro, atrofiado, anêmico, vivendo do ontem como se fosse, literalmente, hoje. E o que seria do inconsciente psicanalítico em um homem que não pode esquecer? Talvez eu brincasse com isso também.

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Eu não sou um crítico de artes. Acredito que os outros “sou fã” deixaram isso claro. No entanto, não posso negar o efeito que a arte tem sobre mim, especialmente a arte escrita. Por isso estou ansioso para falar dos meus livro favoritos. Não são necessariamente os melhores textos que eu já li, mas certamente são aqueles que mais me mudaram. E ainda que eu não possa criticá-los como um literato, posso criticá-los como um apreciador das palavras. E amo as palavras desses livros:

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O Pequeno Príncipe

 

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Este foi o livro que mais vezes li. O livro que mais vezes ganhei. O livro com que mais vezes presenteei. Enfim, meu livro preferido. O autor é Antoine de Saint-Exupéry, francês, aviador e excelente em fábulas.

A minha parte favorita do livro é a da raposa. Não no momento da famosa frase “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, mas por toda a cena, pela idéia de como cativar uma pessoa e pela descrição de como os campos de trigo mudarão após a passagem do Principezinho. É uma passagem muito bonita.

A cobra que engoliu um elefante também é dos momentos altos para mim. De vez em quando eu digo às pessoas “você só está vendo chapéus”. Quem entende a frase, merece um apreço especial. Eu me policio. Não quero me tornar um homem sério. Infelizmente, já sou um pouco fã de números.

Um livro para ler e reler, para ganhar de presente muitas vezes e para presentear bastante. Enfim, para ser o seu livro preferido.

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Ciência e Comportamento Humano

 

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Neste livro, Skinner explica o universo humano de acordo com a perspectiva da análise do comportamento, permitindo que vislumbremos quais práticas atuais precisamos mudar e quais devemos manter para que possamos produzir um mundo melhor para todos. Parece romântico, mas o autor utiliza argumentos científicos para defender suas idéias. Skinner explica relações humanas complexas utilizando um quadro científico prático e relativamente simples.

O livro mudou a minha concepção do homem. A partir dele, tornei-me analista do comportamento e é por causa dessa ciência que sou satisfeito na minha profissão. O que mais gosto em ser um cientista é saber que abandonarei todas as minhas concepções tão logo outra mais produtiva chegue ao meu conhecimento. Como disse Skinner, uma das características de um bom cientista é estar preparado para abandonar as próprias idéias.

Vale a pena ler esse livro, seja você psicólogo ou não. É possível aprender bastante sobre nós mesmos. O autor conta o que é a memória, o que são as instituições como escolas, religiões, etc. E mais importante: conta para nós como são criados os prazeres e motivações. Tudo, lembrando, com termos e bases científicas.

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Cem Anos de Solidão

 

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Eu não entendo esse livro. Sério. Eu o li extasiado, mas não o entendi… Para mim, ele é uma coleção de palavras bonitas juntas, palavras que descrevem acontecimentos fantásticos e que me fazem desejar visitar Macondo e conhecer os Buendía. Mas não consigo dizer mais do que isso. Sou péssimo para entender simbologias e todo essa inabilidade se manifestou mais fortemente quando li esta obra.

Apesar da minha incompreensão, este livro é tão fluído, viciante e possui tantos trechos lindamente surreais, que eu me remeto a ele sempre que penso em escrever. Quero escrever com a fluência do Márquez! E logo.

Adoro a frase inicial do livro: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”. Diz Márquez que a partir do momento em que leu o livro “A Metamorfose”, de Kafka, desejou começar todos os seus livros com frases belas e significativas. Na “A Metamorfose”, Kafka começa assim: ” Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu-se transformado num gigantesco inseto”.

Faz assim. Leia os dois.

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A Construção Social da Realidade

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Skinner começou e Berger e Luckmann terminaram de formatar a minha concepção de realidade. Apesar de os autores criticarem Skinner, eu vejo mais pontos de contato do que de afastamento entre as duas obras. Claro que cada livro tem sua própria concepção e seu próprio nível de análise, mas no fundo ambos falam da mesma coisa: o poder do ambiente de moldar quem somos.

No “A Construção Social da Realidade”, os autores descrevem como nossas concepções são primoridalmente formadas pela comunidade onde estamos inseridos e como essas concepções chegam até nós sem que saibamos por que elas existem. O livro me inspira a julgar todas as nossas práticas sociais e a me julgar em qualquer idéia que eu tenho. Esta obra me transformou em um crítico e em um relativista infinito.

A parte mais bacana do livro é o enorme trecho em que os autores descrevem a criação de uma pequena comunidade. A descrição é detalhada e faz muito sentido. Convenceu-me imediatamente das idéias defendidas por Berger e Luckmann.

De todos os livros desta lista, este é o que recomendo mais fortemente para leitura imediata. Repito o que o professor que me indicou me disse: “depois de ler, você vai me agradecer pela indicação”. Eu agradeci. Voltem à caixa de comentários, se for o mesmo caso. Vou gostar de saber que vocês leram.
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A Ilha

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Eu adoro esse livro. Todos dizem que ele deve soar como uma crítica. Para mim, soa como um bando de boas idéias juntas sobre como deve ser uma comunidade ideal. Antes de descrever algo sobre a comunidade desenhada por Huxley, é preciso falar do seu defeito: ela fica em uma ilha, isolada do restante da civilização e, ao mesmo tempo, à mercê de outras comunidades que não a compreendem.

O fantástico da sociedade que fica na Ilha é a combinação de ciência e espiritualidade. Espiritualidade tomada simplesmente como o simbólico, não necessitando que alguém acredite que existam forças sobrenaturais. A idéia é simplesmente viver em contato e aproveitando o poder dos símbolos.

Na comunidade descrita por Huxley, as pessoas são, sobretudo, cooperativas e compreensivas. Cada um pode ser o que quiser. As pessoas praticam yoga e yoga do amor (sexo feito direito) para se sentirem mais felizes. O controle populacional espontâneo evita pessoas desempregadas e todos os outros problemas advindos da superpopulação. Durante seu crescimento, a criança pode viver em várias casas e aprende diversos tipos de trabalho. Há um esforço para prever o comportamento das pessoas e direcioná-las para atividades mais adequadas a elas, ao mesmo tempo em que há a liberdade para que cada um decida seu caminho e evite o que lhe é designado. Não há forças armadas, há baixas taxas de crimes (todos alimentados, com casa e trabalho).

As idéias de Huxley só poderiam ser implementadas na nossa civilização depois de algumas décadas de trabalho intenso e paciente. Ou melhor dizendo, talvez seja impossível, tão presos estamos aos nossos costumes. Leia o livro, certamente ele lhe fará pensar em vinte coisas ou trinta.

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Coerção e Suas Implicações

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Este livro descreve em detalhes a máxima “violência gera violência”. O autor mostra, por meio de experimentos e de uma linguagem simples e gostosa, como situações aversivas produzem comportamento agressivo que, por sua vez, produz situações aversivas e assim por diante.

Em outras palavras, o livro mostra por que existem guerras, pessoas se machucando e famílias que se odeiam. Tudo por causa de uma verdade incoveniente: na maioria das vezes, punir é mais fácil do que compreender e ensinar. Por exemplo, um filho que não pára quieto. Ao invés de conversar com ele, trazê-lo para o lado etc, é mais fácil dar uns tapas no moleque e fica tudo certo. Não fica não! A criança vai ter raiva do agressor: e o agressor é o pai dele.

Este livro é recomendado para todos os pacifistas. É um manual de argumentos do porquê a violência e a punição não são alternativas válidas. Mais do que isso, é uma leitura deliciosa! É ótimo ver uma parte tão significativa do mundo explicada tão claramente pela ciência! Murray Sidman fez muito bem.

Infelizmente, o livro está esgotado. É o único dessa lista que eu não tenho em casa. Já procurei tanto… O próximo passo é nos sebos gigantes de sampa. Se acharem, comprem imediatamente. É um ótimo investimento.

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Sidarta

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A princípio, pensei que fosse a história de Sidarta Gautama (o Buda), contada por um ocidental. Mas o livro não é bem isso. O Sidarta da trama é diferente de Gautama (esse sim o Buda, presente no livro).

O personagem é um jovem que sai para a vida, contrariando a família, para aprender. Ele passa por diversas fases, de comerciante e aprendiz das artes do sexo, a ermitão e barqueiro. Inclusive, chega a encontrar o Buda e declina dos ensinamentos do mestre, justificando que precisa seguir o próprio caminho.

Não é o melhor livro de Hermann Hesse, mas foi o que mais me marcou. Quando eu o li, estava meio perdido, sem saber o que fazer da vida. E a reflexão que o livro me permitiu fazer é que somos construídos o tempo todo. Não existe um momento vazio.

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Maga, depois de séculos, respondi àquele pedido para que eu indicasse meus livros mais próximos. Agora, peço para que três amigos falem dos seus: o Marcus, a Renata e o Lucas.

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Este “sou fã” vai ser diferente dos outros. Ao invés de narrar as obras da minha preferência, vou falar porque sou fã da arte escrita.

Este ano eu não li um livro de literatura, contra uma média de 3 por mês nos outros anos da minha vida. A razão para isso é a minha vida de estudante. Só tenho encontrado tempo para ler textos técnicos. A saudade da literatura está grande e por isso decidi apontar as razões por que gosto de ler obras de arte:

  1. É possível aprender sobre as pessoas: A maioria dos bons autores possuem uma imaginação fantástica ou a capacidade de sintetizar o que aprenderam com os outros. O resultado são personagens reais o suficiente para nos permitir aprender sobre a vida humana. Nossa relação com o mundo, apesar de imensa, é limitada. Eu, por exemplo, nunca vou experimentar em carne e osso a vida no frio russo. Mas posso ler Tolstoi e conhecer sobre a vida das pessoas naquele lugar, posso saber como compreendiam o ambiente que lhes cercava, quais os símbolos aos quais veneravam e como lidavam uns com os outros. Esta é a principal razão pela qual leio.
  2. É possível aprender sobre diferentes situações: Esta razão vem na esteira da anterior. Além de conhecer as pessoas, conhecemos seus cenários. Como será uma vila de pescadores ou uma micro-ilha de pedras no meio do oceano? Leia “Os Trabalhadores do Mar”. Como era o Brasil? Vá de Machado. A lista de possibilidades de aprender sobre a história de diferentes países, cidades, ou simplesmente conhecer como é a vida em uma ilha, ou na montanha, etc, é infinita.
  3. É possível aprender sobre o autor: Ainda que o texto do autor não descreva precisamente a vida de outras pessoas, descreve seus próprios pensamentos. Invariavelmente, o escritor está contido na própria obra. Aqueles que têm uma percepção mais refinada conseguem encontrar o artista na obra. Um bom modo de treinar esta habilidade é lendo o texto de pessoas às quais conhecemos. Meus amigos, por exemplo, estão em todos os cantos dos seus blogs.
  4. É possível aprender sobre si mesmo: O autor escreve as palavras. Mas é você quem as lê, relaciona com outros textos e as compreende. O frio russo descrito por Tolstoi não é o mesmo para mim e você. Eu costumo focar na reação das pessoas e imaginar o que eu faria no lugar delas. Talvez você prefira a descrição das paisagens, ou foque especificamente no linguajar das personagens.
  5. Há mais de uma obra em uma obra: Esta razão é decorrente da razão 4. A obra existe tantas vezes diferentes quantas vezes é lida. O mesmo livro não é igual para mim e para você. Mais importante do que isso, é diferente para mim no primeiro mês do ano e no último mês do ano. Cada vez que volto a um livro, percebo novas nuances, atento para novas passagens, leio com intenção diferente.
  6. É possível aprender a escrever: Lendo, consigo entender novas formas de usar as palavras. Aprendo sobre a gramática portuguesa, sobre estilos de descrição, de diálogo, etc. Adoro o modo fluído do Gabriel García Márquez (os tradutores parecem afiados). Alguns textos pedem por isso. Outras vezes utilizo um modo mais científico de escrever, com frases claras e curtas. Foram os livros que me ensinaram.
  7. Ler produz sentimentos: Não apenas podemos conhecer as personagens dos livros, mas podemos nos reconhecer nelas, ou apenas torcer para seu sucesso ou fracasso. Bons livros possuem personagens cativantes. As situações às quais eles vivem produzem emoções não apenas neles, mas em nós, leitores, também. Os sentimentos são fundamentais na hora de julgarmos o quanto os livros fizeram por nós.
  8. É uma ótima maneira de passar o tempo: Além das razões mais “nobres” acima, ler é uma ótima maneira de vencer o tédio. Os livros podem nos fazer passear por qualquer lugar do mundo. É impossível não viajar com um bom autor.
  9. É uma excelente fonte de referências: Muitas das nossas conversas cotidianas são sobre o que lemos, vimos, ouvimos, etc. Os livros ajudam a fazermos amigos por afinidades, trocar idéias sobre as motivações das personagens, fazer comparações com casos reais, e assim por diante.

Consegui pensar nessas 9 razões. Estou certo de que existem muitas outras que podem ter me escapado. Quer me ajudar a completar a lista? Escreva no comentário, e eu edito o texto acrescentando sua colaboração. Obrigado!

Aproveito e indico a relação do Alessandro Martins: “10 motivos para ler livros clássicos” e a do André Gazola (do lendo.org) que descreveu os “10 motivos para ler livros atuais“.

No próximo “sou fã” vou falar dos meus livros preferidos.

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