Rapaz estudioso tem reunião às 10h
Acorda às 6h45. Muito sono
Toma café às 6h55. Muito frio
Banho de 10min. Troca de roupa
Sai de casa às 7h30
Chega ao ponto às 7h45
O ônibus passa ás 8h
Lê durante o percurso
De pé
Leitura chata, por sinal
Chega no metrô às 8h30
Entra no trem às 8h35
Chega na “Paraíso” às 9h05
Faz baldeação às 9h07
Chega na Clínicas às 9h15
Alcança o ponto às 9h17
O ônibus passa às 9h25
Chega no ponto destino às 9h50
Anda sossegadamente
Chega à reunião às 9h57
A reunião começa às 10h30
Termina às 12h
Almoça em 30min
Chega em casa às 15h
Acordou às 6h45
Chegou às 15h
Por 1h30 de reunião
Ele é feliz?
Archive for the “Crônica” CategoryHoje, a primeira coisa que eu vi depois de sair da escuridão da estação clínicas do metrô para o sol da Dr. Arnaldo, foi uma pomba. Ela estava pousada no meio da avenida, passeando por ela com aquele andar empescoçado típico das pombas. É preciso dizer que eu não gosto de pombas. São animais sujos, e estão em número muito maior do que deveriam. Pombas são uma praga para as cidades, como os ratos. Em sua maioria, são feias quando olhadas de perto, com olhos podres e bicos deformados. Uma praga, uma verdadeira praga causadora de doenças. Esta pomba que eu vi era daquelas meio verdes, meio brancas, meio marrons. Uma das feias. Passeando na avenida. Um ônibus veio em sua direção. O motorista nem deve ter se dado conta do fato. A pomba percebeu tarde demais. Tentou levantar vôo, mas não foi rápida o suficiente. Subindo, bateu embaixo do ônibus e, descoordenada, foi para perto da roda dianteira, que passou por cima de uma de suas asas. Quando eu vi a cena, antes de saber do seu resultado, eu tive certeza de que a pomba morreria. Foi extraordinário vê-la viva após a passagem do ônibus. A pomba cambaleou um pouco, e dobrou a asa atropelada como se ela não tivesse sido machucada. Eu estava pronto para vê-la levantar vôo e me deixar boquiaberto. Ela ficou parada. Um carro passou ao lado dela, e ela ficou parada. Um outro carro desviou dela no último segundo, e ela ficou parada. Imóvel, imóvel, enquanto sua vida estava nas mãos de motoristas apressados em uma grande avenida. Eu tive um leve impulso de recolhê-la, mas desisti. Pombas são sujas, e eu não podia saber se ela teria condições de sobreviver após o que aconteceu com sua asa. Talvez eu tenha sido covarde. Enquanto caminhava em direção ao ponto, eu olhava a quase todo instante para a pomba. Ela estava de pé, podia chegar à calçada. Podia, quem sabe, voar. Eu olhava todo instante. A pomba não se movia. E os carros passavam. É incrível o efeito do medo sobre o comportamento. A pomba ficou paralisada, mesmo estando em risco. Eu queria que aquela pomba fosse um símbolo, ou que eu pudesse tirar uma lição de moral de toda a história. Não pude. Não havia símbolos ali, apenas uma pomba fraca. Fraca porque não desviou do ônibus. Fraca porque não fugia de medo: paralisara. Um bem para a espécie, diriam alguns. Um nada para os homens, nenhuma lição, apenas um pedaço de realidade, da rapidez dos acontecimentos; um lembrete, se muito. Eu olhei, ela estava lá. Eu olhei novamente, e a pomba… Os sádicos governantes de São Paulo não instalaram banheiros públicos nas estações de metrô, forçando os apertados passageiros a se virarem pelos bares que banham as entradas das estações. Faz-se uma peregrinação singela rumo às espeluncas. Não sei que centelha de auto-flagelação comanda meus rins e bexiga a ficarem próximos de estourar justamente quando chego à Rua dos Banheiros Quebrados. Em qualquer dia, em qualquer bar próximo à Estação Tucuruvi, o banheiro não estará funcionando. Uma onda-Murphy varre a possibilidade de alívio dos transeuntes necessitados na Rua dos Banheiros Quebrados. É uma rua sem esperança: o deserto do bom funcionamento, o cemitério do extravasamento… assim é a triste Rua dos Banheiros Quebrados. Não adianta ser simpático com os funcionários dos bares, o banheiro estará indisponível para uso. Apenas uma solução: consumir assim que chegar ao bar. Pedir o banheiro antes de tomar alguma coisa (peça algo de comer, não tome), ouvir “quebrado” e depois sugerir consumo desmentiria o dono do bar e o orgulho egoísta e mesquinho dele não permitira isso… Certa vez eu me encontrava no estágio bailarino da inundação bexigal: contorcia-me como um dançarino de hip-hop. Aquela centelha de auto-flagelação levou o problema, claro, diretamente à Rua dos Banheiros Quebrados. No meu bolso estava apenas a passagem de ônibus. Abandonai toda a esperança, disse aquele rapaz Dante depois de Cristo… Entrei no bar, uma pastelaria, dançando a minha dança da contorção. Olhei nos olhos do rapaz do caixa. Creio que ele compreendeu tudo. Implorei pelo banheiro. E…
10
01
2007
Sobre mudar de casa: adeus Eng. GoulartPosted by: Robson in Coisologia, Crônica, DiaricesMudar de casa é um processo sinuoso. São muitos adeus, muitos ois. Você nunca sabe o que vai acontecer na próxima curva. Eu tenho experiência em mudanças. Vou contar aqui para me lembrar um dia: nasci em são paulo, morando em eng. goulart Foram algumas. Não estou contando outras mudanças em que participei como ajudante; ou de casas de passeio (mais 3 viagens). Em todas elas houve muita encheção de saco. Bagunçar, embalar, carregar, desembalar, arrumar. Cansa! No último momento você fecha a porta da casa antiga, dá adeus ao quarto, à sala, à cozinha, tanta coisa aconteceu… Segue pela rua talvez pela última vez; é um processo bastante melancólico. São muitas lembranças de um lar com cheiros, barulhos, características únicas. É sempre estranho deixar o lugar onde você se alimentou e dormiu por tanto tempo. Adeus aos amigos, aos bons vizinhos, ao povo da região; pessoas que são o cimento de muitas idéias e sentimentos. E agora em outro bairro, outra cidade, outro país? Quem será você no novo terreno inédito? Quando você escolhe sua nova casa, a felicidade é a entrada pela porta. Olhar pela janela: outra vista a explorar. Gosto de ouvir os barulhos (odeio se forem muitos), sacar as pessoas que passam. Fico fascinado se houver crianças brincando na rua; eu fui uma criança que brincou na rua, de pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, muito futebol com golzinhos de pequenas pedras. Vizinhos divertidos ainda existem, apesar de raros. Novas cidades são empolgantes, muito mais para ver e gostar. Ou então você não escolhe sua casa: chateação, algo sobre o qual este texto não é. Vejam a lista acima. As duas primeiras casas em Eng. Goulart. Naquela rua fui a criança brincando de futebol. Meus primeiros amigos fiz lá. Andávamos de bicicleta em bandos. Nunca esqueço um amigo que morreu atrás de um pipa; todos éramos muito jovens. A primeira vez que briguei foi lá, e também foi naquela rua que estourei o queixo ao cair depois de empinar minha bicicleta para me exibir para uma menina. Geniais campeonatos de futebol 1 contra 1. E quando jogávamos em 3, éramos eu, meu irmão e meu primo que ganhávamos metade das partidas. Tinham outros caras bons: Adriano, Edson e Balé. Nunca saí de verdade de Eng. Goulart, minha avó continuou morando lá todos esse anos. A rua esteve sempre ao meu alcance. Até hoje: minha avó veio morar em Guarulhos e a rua de boas histórias perdeu sua âncora… Depois de tantas mudanças, estou acostumado a dizer adeus. Já foram tantos e tão tristes. Hoje foi de raiz. Adeus, Eng. Goulart. Curitiba funciona como cidade para cidadãos. Museu Oscar Niemeyer (MON) Façam um favor a vocês e vão até o MON. Segue o link para vocês visitarem e entenderem a genialidade do arquiteto Oscar. Museu Oscar Niemeyer. Deus 2007 |

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