Archive for the “Crítica” Category

Assistir a Cloverfield foi espantoso!

Para mim, o filme é perfeito, nada a mudar.

Eu gosto de filmes que mostram as personagens principais como aquilo que as pessoas realmente são: pessoas. É claro que vez por outra eu curto um filme mais estilo Rambo, etc. A minha preferência, porém, é quando as pessoas são pessoas. O bacana de Cloverfield é que ele consegue ser um filme de eventos inimaginavelmente incomuns que ocorrem com gente comum. Não pode haver melhor.

Outros filmes nesse estilo é, claro, “Bruxa de Blair”, “Guerra dos Mundos” e “Filhos da Esperança”. Todos esses são do estilo eventos incríveis / pessoas comuns. Deles, o meu preferido é “Filhos da Esperança”: aquelas cenas sem corte são geniais e me impressionaram pela beleza e pela destreza com que foram realizadas.

A história de Cloverfield vocês já conhecem. Um grupo de jovens está em uma festa quando explosões começam a acontecer, prédios começam a cair e o desespero toma conta dos moradores da cidade Manhatam. Todos esses acontecimentos chegam até nós por meio de uma câmera amadora, pilotada por um dos personagens do filme.

A partir da primeira explosão, começa a jornada dos protagonistas para resgatarem uma amiga e tentarem se manter vivos. Enquanto caminham por Manhatam, encontram-se algumas vezes com o responsável por todo aquele terror, um monstro gigantesco. Ao mesmo tempo, têm que conviver com o exército, que incansavelmente ataca o monstro.

O filme é lindo, o modo como as coisas vão ocorrendo… O tamanho do homem diante do terror do desconhecido.

No more. Vão ver!

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Depois de uma Idade Média sem leituras, voltei ao mundo dos livros que não são de Psicologia. Ainda não voltei à literatura, porém.

Estou lendo dois livros que ajudam a pensar. Vou falar mais sobre cada um deles:

Cultura Geral
Quando eu vi esse livro na prateleira, fiquei coçando de vontade de comprar. Dei uma folheada e percebi que o livro abrange muita, muita coisa. Essa aparente qualidade normalmente se desdobra em um problema: uma abordagem resumida demais dos fatos.

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Agora o estou lendo e vejo que estou certo, os fatos são apresentados de maneira resumida. Eu estava errado, porém, quando pensei que isso era um problema. O autor, Dietrich Schwanitz, mostra os acontecimentos de forma fluente e às vezes bem humorada. Conta uma história do mundo, descrevendo desde os gregos os caminhos que nos tornaram quem somos. Fala do caminho da política e da economia, da arte plástica, dos filósofos, da literatura e das línguas.

O fato de o livro ser resumido e deixar, necessariamente, muita coisa de fora, produz a vontade de conhecer mais. O livro me fez ter vontade de pesquisar vários tópicos, o que me fez ter uma visão mais aprofundada do tema. É um livro que leva a outros, e leva à curiosidade. Ele está na minha cabeceira, esperando-me paciente para me contar um pouco sobre o mundo todo. É meu avô de cabeceira.

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O mundo assombrado pelos demônios
Este livro do Carl Sagan todo mundo conhece, já ouviu falar. Um dia é preciso pegá-lo na mão e lê-lo. Estou fazendo isso agora, com uma voracidade crescente. Sagan fala sobre a ciência e sobre a pseudociência, dando exemplos de ambas. Defende a superioridade do método científico em conhecer a natureza e utiliza, dentre outros, um argumento muito bacana: a ciência nos torna novamente crianças curiosas, prontas a saber de tudo e a duvidar de qualquer coisa que nos pareça errada.

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O modo como Sagan escreve me lembra das aulas do meu professor de Psicologia Experimental, com o qual posteriormente trabalhei enquanto estava na graduação. Ambos vão desfiando diversos temas seguidamente, dando a impressão de que eles não se relacionam e, então, falam alguma frase ou palavra mágica, e todos aqueles temas se juntam em uma compreensão geral da natureza da ciência ou da bobagem pseudocientífica.

Estou tremendamente curioso para saber a opinião de Sagan a respeito da Psicologia. Ele deixou antever que a considera uma ciência, mas não sei o quanto tratará dela e com que habilidade, já que é um astrônomo. A opinião me interessa muito porque Sagan considera a Psicanálise e a Parapsicologia como pseudociências, como eu. O que é ciência psicológica?

O livro é um monumento à arte de pensar.

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Na última parte da série, vimos sobre o primeiro laboratório de Psicologia e sobre a burrada da eugenia. Agora, vamos discutir outro lado do funcionalismo, sem relação tão estreita com as idéias de Galton. E vamos fazer isso falando especificamente de um dos maiores psicólogos que já existiu: William James.

James escreveu sobre tudo. Desenvolveu, com o amigo Peirce, o pragmatismo, do qual vou falar em outro post. Ao mesmo tempo em que escreveu o livro “Princípios de Psicologia”, afirmou não ser psicólogo. Do mesmo modo que defendeu uma Psicologia científica, estudava experiências religiosas místicas. Vamos ver o que essa personagem disse.

No seu livro chave, os “Princípios”, James defendeu que a Psicologia não deve se focar em descobrir os elementos da experiência, mas sim no estudo das pessoas vivas em sua adaptação ao ambiente. Ou seja, ele deslocou o objeto de estudo da Psicologia da estrutura dos processos mentais para o funcionamento desses processos na interação total do organismo com o ambiente. Foi uma mudança fantástica, à qual muitos psicólogos aderiram depois do autor. Para James, a consciência era um fluxo constante e esta é a razão pela qual dividi-la seria improfícuo. Além disso, a consciência nunca se repete e depende de idiossincrasias de cada pessoa.

Para o autor, era preciso verificar qual a importância biológica da consciência. Se ela estava presente nos seres humanos é por que ela havia sido selecionada pela pressão natural. James concluiu que a consciência tinha a importante função de nos permitir escolher. O autor havia experienciado um período de depressão, do qual escapou quando disse a si mesmo que seu primeiro novo ato seria acreditar no livre arbítrio. É provavelmente daí que esta postulação importante de consciência como possibilidade de escolher tenha se originado.

Uma das mais interessantes contribuições de James foi no estudo das emoções. Antes dele, acreditava-se que a emoção era um processo em que uma situação do ambiente produz uma mudança mental que, então, provoca reações corporais. Ou seja, primeiro muda-se o pensamento e este muda o corpo. James postulou que a ordem era a inversa. Uma situação muda primeiramente o corpo, e a percepção da mudança do corpo é a emoção. James parecia raciocinar sempre avaliando a importância adaptativa dos comportamentos. Faz sentido pensar que reações corporais, presentes em animais “incapazes” de pensar, sejam as responsáveis pela sobrevivência das espécies.

A obra de James influenciou psicólogos como Thorndike, do qual falarei futuramente. Além disso, seu pragmatismo foi adotado por uma das mais valiosas vertentes da Psicologia: a análise do comportamento.

No próximo texto vou arriscar falar de Psicanálise. Conheço pouco dessa ciência e agradeço colaborações e até convidados para escrever este texto para mim. Penso em dois colegas: Marcus, de Goiás, e Lucas, de Santa Catarina. Algum de vocês topa?

Enquanto isso, vejam:

O que é a Psicologia - introdução
O que é a Psicologia - Parte 1: os primórdios filosóficos
O que é a Psicologia - Parte 2: os primórdios da biologia
O que é a Psicologia - Parte 3: o início da Psicologia I
O que é a Psicologia - Parte 4: o início da Psicologia II

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Análise do Comportamento