Archive for the “Coisologia” Category

Alguém aí está enjoado das mudanças rápidas do mundo?

Hoje estou um pouco triste, com saudades. Estou me sentindo um velho cansado e de saco cheio. Tenho vontade de mandar os barulhentos calarem a boca para eu poder dormir em paz. Acontece que não sei o quanto sei lidar com as mudanças rápidas do mundo. Assim como muitos idosos atuais não se interessam por computador, eu tenho pouco interesse em conhecer todas as novidades desse mutante mundo.

CONSEQÜÊNCIAS SOBRE O COMPORTAMENTO
Um mundo de mudanças muito rápidas produzem pessoas diferentes das produzidas por um mundo com transformações lentas. Óbvio! Não é possível formar uma opinão duradoura em um ambiente mutante. Não é possível contar com o próprio emprego em um mercado instável. Não é possível aprender nada profundamente com informações sendo substituídas por outras informações que são substituídas por outras informações na velocidade da luz. Não é possível manter o interesse em nada por muito tempo, pois novos produtos surgem a todo o momento…

Que tipo de pessoas surgirão desse mundo?

  • Pessoas certamente dinâmicas, mas será que com conhecimentos específicos suficientes para um trabalho aprofundado?
  • Pessoas voltadas para o próprio umbigo. Pessoas solitárias. A conexão entre todos é tão efêmera, que as pessoas só podem tentar conhecer verdadeiramente a si mesmas, se muito.
  • Pessoas inseguras. O novo mundo não está pronto para absorver tantas pessoas; em verdade, as novas tecnologias pretendem reduzir o número de empregos e não de produzi-los.
  • Pessoas minúsculas diante do tamanho das organizações.

DECIDA EM QUAIS FORMIGAS CLICAR COM SEU DEDO MINÚSCULO
É comum que se defenda o enorme acesso à informação que a internet proporciona. É realmente delicioso. Mas dá uma sensação de vazio: são tantas e tantas coisas para ver, de tantos lugares, por tantos ângulos. Chega a ser ridículo poder absorver tão pouco de um mundo tão grande.

O acesso a dados e a facilidade imensa de publicar nesse novo mundo parecem produzir, na maioria das pessoas, a sensação de grandiosidade. “Eu falo e qualquer pessoa do planeta pode me escutar”. Essa é uma verdade incompleta. O dado que uma pessoa produz está realmente acessível, mas isso não significa que ele será encontrado e acessado, ou que é interessante. Em verdade, são tantas as opções oferecidas pela rede de dados que, ao invés do gigantismo, a internet teve o efeito de mostrar o quanto as pessoas são pequenas.

VOCÊ AÍ, ESTÁ REALMENTE PREPARADO PARA JOGAR?
Ter acesso à tecnologia por meio de cheques em lojas ou de assinaturas gratuitas a publicadores de blogs e páginas pessoais não significa estar dentro do grande jogo.

Somente uma elite pode jogar: a dos sortudos apaixonados por programação e por novidades eletrônicas. Pessoas muito habilidosas na arte e na ciência, e pessoas altamente criativas, podem fazer sucesso no mundo virtual, mas ora ou outra terão de lidar com a nova tecnologia. Ou torcer para que ela seja cada vez mais fácil de ser utilizada. De certo modo, o novo mundo está na mão dos programadores profissionais e conhecedores avançados de tecnologia. Eles decidem os rumos do mercado e as possibilidades de criação.

Uma pessoa preparada hoje, do meu ponto de vista, não é aquela que sabe utilizar um programa, ou um aparelho eletrônico, mas sim aquele que sabe manipular profundamente a tecnologia. Não adianta conhecer o programa de HOJE, pois ONTEM criaram um mais avançado. Se você não encontrar tempo para se atualizar continuamente, está fora do jogo. Caro, você pode pagar alguém pelo serviço técnico.

O NOVO MERCADO E O VELHO MERCADO
O novo mercado está em consonância com o que foi dito no tópico acima. Para prosperar é preciso se adaptar à nova tecnologia. As empresas que mais crescem na atualidade são prestadoras de serviços na internet. Se tudo continuar crescendo como está, várias facetas do mercado atual podem ser extintas, ou alguém duvida, por exemplo, da possibilidade de que supermercados deixem de existir fisicamente?

Não importa sua profissão. Para ganhar a vida, é preciso criar um mercado chamativo do ponto de vista virtual. Está esperando o quê?

OS MÚSCULOS DEVEM SER MOVIDOS
Fui criança de correr na rua, bringar de esconder, jogar futebol com gols de pedra, andar de bicileta em bando. O crescimento desenfreado das cidades, a quantidade enorme de carros e a violência exponencial estão limitando a brincadeira física para dentro dos condomínos. E nem entre portas as brincadeiras físicas fazem tanto sucesso quanto os novos jogos e a internet. Aumentando o acesso à internet, haverá também um aumento da obesidade. Eu não acredito em nenhum incentivo ao esporte funcionando, ao menos não nos moldes atuais.

Toda nossa cultura está se voltando ao conforto doméstico. Músculos são cada vez menos necessários. O problema é que um corpo frágil não produz pessoas felizes. O movimento é imprescindível para a saúde. Apesar de a sociedade ser rápida, nossa estrutura biológica é a mesma há 100000 anos. Ainda temos a necessidade de fortalecemos o corpo. Movimentar-se produz substâncias fundamentais para o bom andamento de funções orgânicas, incluindo aquelas ditas “intelectuais”.

OS NOVOS VELHOS
Tudo isso para quando?
Já está acontecendo. A pergunta é quanto tempo vai demorar para que uma nova tecnologia produza uma mudança radicalmente rápida. O mundo não está preparado para isso. Ou está e não consigo enxergar?

Tenho um pouco de medo. Dedico algum tempo do meu dia a pensar em como posso me adaptar, levar minha profissão para o novo mundo e, até, que linguagem de programação aprender para me dar bem. Este blog existe como tentativa de não ser passado para trás.

Faço isso com saudade de andar de bicicleta, de ir até a praça para o lazer.

E você, é novo velho ou um novo novo?

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Dêem uma olhada no blog Quero ter um blog.

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O paulistano precisa aprender sobre o pensamento oriental.

Existe um livro genial, chamado “Zen em Quadrinhos”, em que excelentes parábolas zen-budistas são contadas por meio de, adivinhem?, quadrinhos. É uma delícia de ler, e permite algumas reflexões geniais.

Uma dessas tirinhas pode ser adaptada para o cotidiano dos paulistanos e afins. Na tira, uma pequena e triste gota d’água fica feliz ao perceber que faz parte do oceano. A gota compreende que faz parte do todo, sendo constituída e constituinte desse todo…

Em São Paulo, diariamente, às 18h, na Marginal Tietê, milhares de motoristas ficam putos uns com os outros por estarem se “atrapalhando” mutuamente. Alguns chegam a perguntar a si mesmos, desesperados, “por que esses idiotas aí da frente têm que estar nesse trânsito? Eles pioram tudo”.

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Um parte vendo as outras

Acontece que os incomodados não têm a habilidade de perceber que incomodam. Eles são parte do trânsito… A presença deles aumenta a fila, aumenta o cansaço, aumenta o tempo longe de casa.

Não adianta ficar bravo com o prefeito, com o governador, com o que for, por serem poucas as vias de tráfego. Mais pessoas estão em São Paulo porque outras cidades não possuem tantos empregos. As outras cidades são inocentes, o país está construído assim. O mundo, da mesma forma, é o turbilhão que fizemos dele.

A solução é aceitar ser parte, compreender que o egocêntrico irritado é também uma parte-do-todo irritante. Diluir-se.

E, claro, agir.
Pressionar para a melhoria da cidade, do estado, do país, do mundo.
Tudo para transformar o oceano em um espelho.

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Acabo de ler uma reportagem da revista Superinteressante sobre energia nuclear. Alguns defensores do meio-ambiente voltaram atrás na condenação da energia nuclear e começam a reconhecer que este tipo de produção de energia é menos maléfica ao meio-ambiente do que a produção comum, por meio de petróleo, sobretudo; muito mais barata do que fontes solares e eólicas de energia; e, além disso, torna desnecessária que sejam criadas represas artificiais. Outros defensores do ambiente não compraram a idéia ainda.

O mais interessante no debate, no entanto, não é se a energia nuclear é maléfica ou não, mas sim como diferentes eventos mudam nossa maneira de pensar. Os acontecimentos que tornaram a fissão nuclear inimiga da opinião pública foram o desastre de Chernobyl e as bombas americanas no Japão. Foram, realmente, momentos terríveis na história da humanidade. Mas, por alguns motivos, precisam ser relevados, no contexto de produção de energia.

Primeiro, produção de bombas e produção de energia são coisas diferentes. Assim como são diferentes utilizar gasolina em automóveis e em coquetéis molotov. Além disso, há evidências fortes de que o desastre de Chernobyl foi causa de erro humano. Novas medidas de segurança reduzem ao mínimo a possibilidade de novos problemas. Bom, todos continuamos dirigindo nossos carros, que matam infinitamente mais do que usinas nucleares. Infinitamente mais. Para finalizar, a energia nuclear é barata, eficiente e evita, além do represamento, que diversos países fiquem dependentes dos produtores de petróleo.

Toda a opinião pública contrária à energia nuclear foi criada por ondas, honestas e compreensíveis, de indignação. Não houve ponderação do ocorrido, ao menos não por parte de grande parte da população. Os ecologistas rapidamente hastearam bandeiras contra a energia nuclear, baseados na paixão. E muitos de nós compramos a idéia, ainda que não tenhamos visto as bombas ou conheçamos a fundo o ocorrido em Chernobyl.

O tempo, e os dados, estão mudando a opinião de muita gente. Agora que a paixão passou, as pessoas estão prestando atenção ao que importa no nosso novo contexto: fontes de energia baratas e alternativas ao petróleo. Análises aprofundadas de custo e mesmo de poluição estão mudando concepções cimentadas há muito tempo. Muitos entrevistados da superinteressante, incluindo ecologistas, pensam que a energia nuclear é uma esperança contra o aquecimento global.

Vendo tudo isso, é interessante fazer duas perguntas:

O quanto o aquecimento global e as guerras em nome do petróleo poderiam ter sido evitadas não fossem opiniões apaixonadas?

Quantas opiniões apaixonadas nos impedem de vermos maneiras mais eficazes de fazer as coisas?

É sempre bom deixar claro: não sou contra a “paixão”, sou a favor da ponderação.
PS: Há ainda um problema. O lixo… Por enquanto está dando “certo”. Estão estudando novas maneiras de lidar com ele

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Você já reparou que tudo são palavras?

Se você pegar uma palavra, como “perfeito”, e se perguntar por que ela é usada e de onde ela veio; em seguida, repeti-la dezenas de vezes, você vai perceber o quanto ela não tem sentido “por ela mesma”. A palavra “perfeito” não é aquilo a que ela denomina.

Eu duvido que você seja capaz de beber a palavra “água”. Ou que consiga comer a palavra “arroz”.

Você não é capaz de comer “arroz”, nem beber “água”, mas é capaz de comer e beber aquilo a que elas nomeiam. Aquela coisa sem cheiro, sem cor, e a outra, que é um monte de coisinhas.

O mais louco é que você também não é capaz de se referir ao “arroz” ou à “água” sem usar uma palavra qualquer. O arroz não é só “arroz”, ele também é “branco” e “pequeno”, podendo ou não estar “salgado”. Você pode pintar o tal “arroz”, mas não é uma solução nada prática.

A verdade é que aquilo que você bebe não precisa chamar “água”. O nome não é a coisa!

Ou é?

Se alguém disser que você é um “idiota”, você vai se sentir ofendido?

Pense bem, já é difícil acreditar que “água” é água, imagine então algo como uma opinião. Uma porta é “bonita” na boca de um e “feia” na boca de outro. E o seu sobrinho está “grande” ou não “cresceu nada”?

Os adjetivos, além de carregarem o problema de não serem o que nomeiam, são ainda mais pesados por serem opiniões. É assim que a mesma pessoa é “idiota” ou “inteligente”.

Acho que tudo isso mostra que a palavra não é a coisa.

Ou é?

Lembra que te chamaram de “idiota”? E aí, você se sente ofendido ou não?

Imagine que a pessoa que te ofendeu de “idiota” é a pessoa a quem você ama. Aposto que essa ofensa doeria mais do que um pisão no pé, talvez até mais do que um tapa na cara.

É difícil de entender que isso seja possível… As palavras não são as coisas, afinal!


Acontece que as palavras não são as coisas,
mas se parecem muito com elas!

São semelhantes o suficiente para machucar ou alegrar, mas não tão parecidas a ponto de podermos comer “arroz”.

Por que isso acontece?

Porque nosso corpo é meio burro. Bom, mais ou menos isso. Quando você aprendeu a palavra “água”, devia estar vendo água, ou então com sede, e aí dizia “água” e ganhava a dita cuja.

Quando alguém dizia que você era “bacana”, “gente boa”, ou “o cara”, aposto que quem dizia isso olhava nos seus olhos, tocava seu ombro, sorria, fazia uma cara legal, etc.

De forma semelhante, toda vez que te chamavam de “idiota”, usavam um tom de voz ríspido, com uma cara nada amigável, e provavelmente te davam as costas.

Essa é a história.

As palavras ficam impregnadas com a situação em que elas apareceram. Nosso corpo, para o bem ou para o mal, faz um pareamento entre a situação e a palavra.

Daí acontece que o corpo reage à palavra do mesmo modo como reage à situação. Doido, né?

Aposto que quando você está com fome, é gostoso falar de comida. E que apenas o nome da pessoa a quem você ama é capaz de te deixar meio bobo.

Se você tivesse aprendido a palavra “martelo” em um clima agradável, com pessoas rindo à sua volta, e te dando doces e coisas que você gostava, você adoraria ouvir “martelo”, ainda mais mais se saísse de uma boca amada.

E isso explica tudo: pareamento situação-palavra, emoção-palavra, necessidade-palavra. Ê mundão humano!

Eu sempre tento me lembrar de que as palavras apenas parecem as coisas, mas não são. Sempre mesmo. Ajuda a não ser enganado.

Por exemplo, quando eu ouço “pessoas com cara comprida são burras”, eu não caio nessa. Primeiro, porque “caras compridas” é um adjetivo que reflete uma opinião. Segundo, porque ocorre o mesmo com “são burras”. Na verdade, se ouço isso, começo a desconfiar que “burro” é quem falou a frase.

Acabou.

PS: Reza a lenda que há muito tempo atrás um garoto estava sendo perseguido por um “lobo”. Virou o animal do avesso e comeu um delicioso “bolo”.

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