Archive for the “Arte” Category

Eu não sou um crítico de artes. Acredito que os outros “sou fã” deixaram isso claro. No entanto, não posso negar o efeito que a arte tem sobre mim, especialmente a arte escrita. Por isso estou ansioso para falar dos meus livro favoritos. Não são necessariamente os melhores textos que eu já li, mas certamente são aqueles que mais me mudaram. E ainda que eu não possa criticá-los como um literato, posso criticá-los como um apreciador das palavras. E amo as palavras desses livros:

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O Pequeno Príncipe

 

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Este foi o livro que mais vezes li. O livro que mais vezes ganhei. O livro com que mais vezes presenteei. Enfim, meu livro preferido. O autor é Antoine de Saint-Exupéry, francês, aviador e excelente em fábulas.

A minha parte favorita do livro é a da raposa. Não no momento da famosa frase “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, mas por toda a cena, pela idéia de como cativar uma pessoa e pela descrição de como os campos de trigo mudarão após a passagem do Principezinho. É uma passagem muito bonita.

A cobra que engoliu um elefante também é dos momentos altos para mim. De vez em quando eu digo às pessoas “você só está vendo chapéus”. Quem entende a frase, merece um apreço especial. Eu me policio. Não quero me tornar um homem sério. Infelizmente, já sou um pouco fã de números.

Um livro para ler e reler, para ganhar de presente muitas vezes e para presentear bastante. Enfim, para ser o seu livro preferido.

Compare Preços do Livro O Pequeno Príncipe.

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Ciência e Comportamento Humano

 

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Neste livro, Skinner explica o universo humano de acordo com a perspectiva da análise do comportamento, permitindo que vislumbremos quais práticas atuais precisamos mudar e quais devemos manter para que possamos produzir um mundo melhor para todos. Parece romântico, mas o autor utiliza argumentos científicos para defender suas idéias. Skinner explica relações humanas complexas utilizando um quadro científico prático e relativamente simples.

O livro mudou a minha concepção do homem. A partir dele, tornei-me analista do comportamento e é por causa dessa ciência que sou satisfeito na minha profissão. O que mais gosto em ser um cientista é saber que abandonarei todas as minhas concepções tão logo outra mais produtiva chegue ao meu conhecimento. Como disse Skinner, uma das características de um bom cientista é estar preparado para abandonar as próprias idéias.

Vale a pena ler esse livro, seja você psicólogo ou não. É possível aprender bastante sobre nós mesmos. O autor conta o que é a memória, o que são as instituições como escolas, religiões, etc. E mais importante: conta para nós como são criados os prazeres e motivações. Tudo, lembrando, com termos e bases científicas.

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Cem Anos de Solidão

 

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Eu não entendo esse livro. Sério. Eu o li extasiado, mas não o entendi… Para mim, ele é uma coleção de palavras bonitas juntas, palavras que descrevem acontecimentos fantásticos e que me fazem desejar visitar Macondo e conhecer os Buendía. Mas não consigo dizer mais do que isso. Sou péssimo para entender simbologias e todo essa inabilidade se manifestou mais fortemente quando li esta obra.

Apesar da minha incompreensão, este livro é tão fluído, viciante e possui tantos trechos lindamente surreais, que eu me remeto a ele sempre que penso em escrever. Quero escrever com a fluência do Márquez! E logo.

Adoro a frase inicial do livro: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”. Diz Márquez que a partir do momento em que leu o livro “A Metamorfose”, de Kafka, desejou começar todos os seus livros com frases belas e significativas. Na “A Metamorfose”, Kafka começa assim: ” Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu-se transformado num gigantesco inseto”.

Faz assim. Leia os dois.

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A Construção Social da Realidade

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Skinner começou e Berger e Luckmann terminaram de formatar a minha concepção de realidade. Apesar de os autores criticarem Skinner, eu vejo mais pontos de contato do que de afastamento entre as duas obras. Claro que cada livro tem sua própria concepção e seu próprio nível de análise, mas no fundo ambos falam da mesma coisa: o poder do ambiente de moldar quem somos.

No “A Construção Social da Realidade”, os autores descrevem como nossas concepções são primoridalmente formadas pela comunidade onde estamos inseridos e como essas concepções chegam até nós sem que saibamos por que elas existem. O livro me inspira a julgar todas as nossas práticas sociais e a me julgar em qualquer idéia que eu tenho. Esta obra me transformou em um crítico e em um relativista infinito.

A parte mais bacana do livro é o enorme trecho em que os autores descrevem a criação de uma pequena comunidade. A descrição é detalhada e faz muito sentido. Convenceu-me imediatamente das idéias defendidas por Berger e Luckmann.

De todos os livros desta lista, este é o que recomendo mais fortemente para leitura imediata. Repito o que o professor que me indicou me disse: “depois de ler, você vai me agradecer pela indicação”. Eu agradeci. Voltem à caixa de comentários, se for o mesmo caso. Vou gostar de saber que vocês leram.
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A Ilha

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Eu adoro esse livro. Todos dizem que ele deve soar como uma crítica. Para mim, soa como um bando de boas idéias juntas sobre como deve ser uma comunidade ideal. Antes de descrever algo sobre a comunidade desenhada por Huxley, é preciso falar do seu defeito: ela fica em uma ilha, isolada do restante da civilização e, ao mesmo tempo, à mercê de outras comunidades que não a compreendem.

O fantástico da sociedade que fica na Ilha é a combinação de ciência e espiritualidade. Espiritualidade tomada simplesmente como o simbólico, não necessitando que alguém acredite que existam forças sobrenaturais. A idéia é simplesmente viver em contato e aproveitando o poder dos símbolos.

Na comunidade descrita por Huxley, as pessoas são, sobretudo, cooperativas e compreensivas. Cada um pode ser o que quiser. As pessoas praticam yoga e yoga do amor (sexo feito direito) para se sentirem mais felizes. O controle populacional espontâneo evita pessoas desempregadas e todos os outros problemas advindos da superpopulação. Durante seu crescimento, a criança pode viver em várias casas e aprende diversos tipos de trabalho. Há um esforço para prever o comportamento das pessoas e direcioná-las para atividades mais adequadas a elas, ao mesmo tempo em que há a liberdade para que cada um decida seu caminho e evite o que lhe é designado. Não há forças armadas, há baixas taxas de crimes (todos alimentados, com casa e trabalho).

As idéias de Huxley só poderiam ser implementadas na nossa civilização depois de algumas décadas de trabalho intenso e paciente. Ou melhor dizendo, talvez seja impossível, tão presos estamos aos nossos costumes. Leia o livro, certamente ele lhe fará pensar em vinte coisas ou trinta.

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Coerção e Suas Implicações

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Este livro descreve em detalhes a máxima “violência gera violência”. O autor mostra, por meio de experimentos e de uma linguagem simples e gostosa, como situações aversivas produzem comportamento agressivo que, por sua vez, produz situações aversivas e assim por diante.

Em outras palavras, o livro mostra por que existem guerras, pessoas se machucando e famílias que se odeiam. Tudo por causa de uma verdade incoveniente: na maioria das vezes, punir é mais fácil do que compreender e ensinar. Por exemplo, um filho que não pára quieto. Ao invés de conversar com ele, trazê-lo para o lado etc, é mais fácil dar uns tapas no moleque e fica tudo certo. Não fica não! A criança vai ter raiva do agressor: e o agressor é o pai dele.

Este livro é recomendado para todos os pacifistas. É um manual de argumentos do porquê a violência e a punição não são alternativas válidas. Mais do que isso, é uma leitura deliciosa! É ótimo ver uma parte tão significativa do mundo explicada tão claramente pela ciência! Murray Sidman fez muito bem.

Infelizmente, o livro está esgotado. É o único dessa lista que eu não tenho em casa. Já procurei tanto… O próximo passo é nos sebos gigantes de sampa. Se acharem, comprem imediatamente. É um ótimo investimento.

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Sidarta

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A princípio, pensei que fosse a história de Sidarta Gautama (o Buda), contada por um ocidental. Mas o livro não é bem isso. O Sidarta da trama é diferente de Gautama (esse sim o Buda, presente no livro).

O personagem é um jovem que sai para a vida, contrariando a família, para aprender. Ele passa por diversas fases, de comerciante e aprendiz das artes do sexo, a ermitão e barqueiro. Inclusive, chega a encontrar o Buda e declina dos ensinamentos do mestre, justificando que precisa seguir o próprio caminho.

Não é o melhor livro de Hermann Hesse, mas foi o que mais me marcou. Quando eu o li, estava meio perdido, sem saber o que fazer da vida. E a reflexão que o livro me permitiu fazer é que somos construídos o tempo todo. Não existe um momento vazio.

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Maga, depois de séculos, respondi àquele pedido para que eu indicasse meus livros mais próximos. Agora, peço para que três amigos falem dos seus: o Marcus, a Renata e o Lucas.

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Este “sou fã” vai ser diferente dos outros. Ao invés de narrar as obras da minha preferência, vou falar porque sou fã da arte escrita.

Este ano eu não li um livro de literatura, contra uma média de 3 por mês nos outros anos da minha vida. A razão para isso é a minha vida de estudante. Só tenho encontrado tempo para ler textos técnicos. A saudade da literatura está grande e por isso decidi apontar as razões por que gosto de ler obras de arte:

  1. É possível aprender sobre as pessoas: A maioria dos bons autores possuem uma imaginação fantástica ou a capacidade de sintetizar o que aprenderam com os outros. O resultado são personagens reais o suficiente para nos permitir aprender sobre a vida humana. Nossa relação com o mundo, apesar de imensa, é limitada. Eu, por exemplo, nunca vou experimentar em carne e osso a vida no frio russo. Mas posso ler Tolstoi e conhecer sobre a vida das pessoas naquele lugar, posso saber como compreendiam o ambiente que lhes cercava, quais os símbolos aos quais veneravam e como lidavam uns com os outros. Esta é a principal razão pela qual leio.
  2. É possível aprender sobre diferentes situações: Esta razão vem na esteira da anterior. Além de conhecer as pessoas, conhecemos seus cenários. Como será uma vila de pescadores ou uma micro-ilha de pedras no meio do oceano? Leia “Os Trabalhadores do Mar”. Como era o Brasil? Vá de Machado. A lista de possibilidades de aprender sobre a história de diferentes países, cidades, ou simplesmente conhecer como é a vida em uma ilha, ou na montanha, etc, é infinita.
  3. É possível aprender sobre o autor: Ainda que o texto do autor não descreva precisamente a vida de outras pessoas, descreve seus próprios pensamentos. Invariavelmente, o escritor está contido na própria obra. Aqueles que têm uma percepção mais refinada conseguem encontrar o artista na obra. Um bom modo de treinar esta habilidade é lendo o texto de pessoas às quais conhecemos. Meus amigos, por exemplo, estão em todos os cantos dos seus blogs.
  4. É possível aprender sobre si mesmo: O autor escreve as palavras. Mas é você quem as lê, relaciona com outros textos e as compreende. O frio russo descrito por Tolstoi não é o mesmo para mim e você. Eu costumo focar na reação das pessoas e imaginar o que eu faria no lugar delas. Talvez você prefira a descrição das paisagens, ou foque especificamente no linguajar das personagens.
  5. Há mais de uma obra em uma obra: Esta razão é decorrente da razão 4. A obra existe tantas vezes diferentes quantas vezes é lida. O mesmo livro não é igual para mim e para você. Mais importante do que isso, é diferente para mim no primeiro mês do ano e no último mês do ano. Cada vez que volto a um livro, percebo novas nuances, atento para novas passagens, leio com intenção diferente.
  6. É possível aprender a escrever: Lendo, consigo entender novas formas de usar as palavras. Aprendo sobre a gramática portuguesa, sobre estilos de descrição, de diálogo, etc. Adoro o modo fluído do Gabriel García Márquez (os tradutores parecem afiados). Alguns textos pedem por isso. Outras vezes utilizo um modo mais científico de escrever, com frases claras e curtas. Foram os livros que me ensinaram.
  7. Ler produz sentimentos: Não apenas podemos conhecer as personagens dos livros, mas podemos nos reconhecer nelas, ou apenas torcer para seu sucesso ou fracasso. Bons livros possuem personagens cativantes. As situações às quais eles vivem produzem emoções não apenas neles, mas em nós, leitores, também. Os sentimentos são fundamentais na hora de julgarmos o quanto os livros fizeram por nós.
  8. É uma ótima maneira de passar o tempo: Além das razões mais “nobres” acima, ler é uma ótima maneira de vencer o tédio. Os livros podem nos fazer passear por qualquer lugar do mundo. É impossível não viajar com um bom autor.
  9. É uma excelente fonte de referências: Muitas das nossas conversas cotidianas são sobre o que lemos, vimos, ouvimos, etc. Os livros ajudam a fazermos amigos por afinidades, trocar idéias sobre as motivações das personagens, fazer comparações com casos reais, e assim por diante.

Consegui pensar nessas 9 razões. Estou certo de que existem muitas outras que podem ter me escapado. Quer me ajudar a completar a lista? Escreva no comentário, e eu edito o texto acrescentando sua colaboração. Obrigado!

Aproveito e indico a relação do Alessandro Martins: “10 motivos para ler livros clássicos” e a do André Gazola (do lendo.org) que descreveu os “10 motivos para ler livros atuais“.

No próximo “sou fã” vou falar dos meus livros preferidos.

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Não há dia melhor para falar de música do que este. Nesta sexta-feira 13 comemora-se o Dia Mundial do Rock. No ano passado escrevi um texto falando do Led Zeppelin, e foi a inauguração do uso de imagens neste espaço. Os artistas dos quais vou falar hoje não são apenas do Rock, mas, fuck man, o importante é lembrar e amar o estilo musical mais poderoso do planeta.

Eis os músicos dos quais sou fã.

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Raul Seixas

raul.jpg Impossível começar uma lista sobre os meus músicos favoritos, no dia mundial do rock, e não falar primeiro do Raul. Eu digo que o cara foi o protótipo do Rock no Brasil. Ele tinha todo o necessário: a voz rouca, a loucura, a postura, as idéias. E ainda assim ele foi capaz de fazer uma mistura legal com ritmos brasileiros.

O ponto forte das músicas são as letras. A grande maioria delas é genial, com sacadas espetaculares. “A formiga só trabalha porque não sabe cantar”. “O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar”. “Enquanto vocês me criticam, eu tô no meu caminho”. “Quem dera eu fosse burro, assim não sofria tanto”. “Já fui católico, budista, protestante, tenho os livros na estante, todos têm a explicação”. Só para citar algumas.

raulseixas.jpg Eu e uns amigos meus costumávamos dizer que se algum ser humano chegou perto da verdade, foi Raul. Hoje penso diferente: ninguém chegou nem perto da verdade, mas tiveram sacadas fodas o suficiente para mudar muitos pensamentos. Todos que escutaram Raul dos Santos Seixas foram mudados, com certeza.

Dentre as músicas, vou citar algumas das minha preferidas: “S.O.S.”, “Fim de Mês”, “A Maçã”, “Gita”, “Canto para a minha Morte”, “Meu Amigo Pedro”, “O Dia em que a Terra Parou”, “Ouro de Tolo”, “As Profecias” e “Loteria da Babilônia”.

É uma pena que essa constelação caiu por causa do álcool. Todos caem cedo ou tarde, mesmo os que dizem que seu nome é a mistura do rugido de um leão com o uivo de um lobo. Valeu, RRRAAAAAAAAA UUUUULLLLLLL.

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Led Zeppelin

led.jpg O Led Zeppelin recebeu esse nome porque alguém disse deles: “Vão afundar como um zeppelin de chumbo”. Está aí o tempo mostrando que Jimmy Page (guitarra), Robert Plant (vocal), John Paul Jones (baixo) e o louco do John Bonham (bateria) tornaram-se ícones do Rock. Eu amo a música desses caras. Toda vez que ouço o som deles eu entre em transe automaticamente, e fico desejando alguém para partilhar o momento comigo.

O Led Zeppelin acabou quando o baterista doidão morreu afogado no próprio vômito. Os outros três ainda estão soltos por aí. De quando em quando o Page e o Plant se reúnem para fazer um som. Vê-los tocar é fenomenal. É o Rock!

A banda possui o maior hino de todos os tempos: “Stairway to Heaven”. Outras músicas memoráveis são “The Rain Song”, “The Song Remains the Same”, “Dazed and Confused”, “Dancing Days”, “Kashmir”, “Whole Lotta Love”, “Moby Dick” e “D’yer Mak’er”.

O melhor conselho que posso dar a vocês é escutar essas músicas a meia-luz, com um copo da sua bebida favorita em uma das mãos, e outros tantos copos pairando dentro do seu corpo. Vocês serão eternamente gratos ao Led. Que os deuses do Rock os protejam!

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The Doors

doors.jpg Caras, não houve louco mais doido do que o vocalista do The Doors, Jim Morrison. Reza a lenda que Ray Manzarek (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria) por vezes ficavam apavorados com a instabilidade e espontaneidade do doido-mor Jim.

Parte da responsabilidade pelo sucesso do The Doors se deve aos três instrumentistas, todos eles excepcionalmente fodões. A outra parte fica com a piração de Morrison, que chamava muita, muita atenção.

Os Doors podem ser vistos em um filme do Oliver Stone, com um excelente Val Kilmer interpretando Jim. Certamente o filme exagera, mas deixa mostrar como era a vida naqueles tempos em que tantos rockeiros radicais apareceram querendo gritar o quanto o mundo estava errado.doors_01.jpg

Quando eu for para Paris, podem ter certeza de que visitarei o túmulo do louco mais doido do rock. O nome da banda vem dos versos de um poeta, William Blake: “quando as portas da percepção se abrirem, as pessoas verão as coisas como elas realmente são: infinitas”.

Algumas pérolas inesquecíveis são: “Break on Through”, “L.A. Woman”, “Universal Mind”, “The End”, “When the Music is Over”, “Riders on the Storm”, “Alabama Song”, “People are Strange” e “Roadhouse Blues”. Essa última marcou muitas viagens da minha turma de amigos. Era ouvida como um ritual na estrada. Nosso hino. Salve The Doors.

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Chico Buarque

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Não é por que é dia mundial do rock que não vou manifestar minha admiração por não-roqueiros. Chico Buarque é, na minha opinião, o melhor compositor do Brasil. Tem um trabalho extenso, que avança para a literatura, para o teatro e para o cinema. Chico é foda.

De todos dessa lista, o único show de quem pude ir foi o do Chico Buarque. Um dos dias mais emocionantes da minha vida. Não só pelo show, mas também por estar com uma pessoa especial. Foi sensacional.

Chico fez sucesso com o pessoal da Bossa Nova e também do Samba, tendo sido homenageado pela Mangueira como tema do seu enredo em 1998. É um artista completo. Várias das suas músicas utilizam o eu lírico feminino, o que chama a atenção da mulherada por este fato e pela melodia fantástica.

Das músicas, vale a pena destacar “Construção”, “Eu te Amo”, “João e Maria”, “Futuros Amantes”, “A Banda”, “Geni e o Zeppelin”, “Roda Viva”, “Meu Caro Amigo”, “Apesar de Você”, “Paratodos” e “Valsinha”. Isso é pouco. A obra é gigante e linda. Ouçam os sambas com os amigos em bares e as românticas, bom, vocês sabem.

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The Beatles

beatles.jpg No mundo da música, tudo acaba em Beatles. Esse quarteto inglês merece todas as louvações, todas as lágrimas, todos os fãs, tudo! Eles são, sem brincadeira, mais conhecidos do que Jesus.

Os Beatles estiveram a frente de várias ondas rock. Dizem que “Helter Skelter”, por exemplo, influenciou o movimento punk. Eles estavam no mesmo estúdio em que estava a banda Pink Floyd quando o rock progressivo foi iniciado. Os dois primeiros álbuns desse estilo foram “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” dos Beatles, e “Piper at Gates of Dawn” do Pink Floyd (outra banda que merecia estar aqui).

A banda era formada por John, Paul, Ringo e George. Quatro carinhas que se tornaram a banda mais venerada de todos os tempos. Chega a ser uma afronta contra a cultura ocidental não conhecer The Beatles. Eles estão em tudo que vocês ouvem, influenciando de uma forma ou de outra.
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Não é possível falar novas coisas interessantes sobre eles. Todo mundo sabe que eles vieram de Liverpool, começaram com músicas melosas e passearam por ritmos chegando ao progressivo. Tiveram momentos geniais, como o show no telhado. E se separaram, dizem, por causa de uma mulher. Dos seus dois astros maiores, um deles ainda está vivo. Outro morreu nas mãos de um fã imbecil que queria ficar famoso.

Eu queria ver um show deles… E escutar essas músicas: “Helter Skelter”, “Come Together”, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, “A Hard Day’s Night”, “Get Back”, “Help!”, “I’m the Walrus”, “Love me do”, “Revolution”, “Something”, “I Want to Hold your Hand” e “Yesterday”, e outras, muitas outras.

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Obviamente, muitos artistas ficaram de fora. Tanto da MPB quanto do Rock. Não é que eu não goste de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elis Regina, Vinícius de Morae, Tom Jobim, Toquinho, João Gilberto, Pink Floyd, Deep Purple, Rolling Stones, Queen, Jimi Hendrix, Janis Joplin, e mais. É só por conta de que os de cima eu gosto ainda mais!

Curtam muito rock hoje, seus loucos.

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Na minha opinião, uma das coisas mais extraordinárias desse mundo é poder ver a cara das pessoas que produzem ciência, filosofia, literatura, música e assim por diante. Eu ainda tenho um quê de cientista louco e fico tentando relacionar a fuça do camarada à obra dele. Como se cada ruga fosse relacionada a um momento triste de um personagem, e uma risadinha de malandro explicasse aquele conceito filosófico que ninguém compreende…

Não é assim que funciona…

Pare um pouco, vá até o espelho e preste bastante atenção aos seus traços. Se você fosse um cientista louco, que tipo de obra atribuiria ao seu olhar?

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Eu sou muito bom em críticas literárias. Tão bom, manjo tanto, que me considero capaz de emitir dois tipos de opiniões: gosto e não gosto. E não vale me perguntar por quê. Ou vale, mas não é válido esperar resposta. “Gosto” e “não gosto” são mais complexos do que parece. Mas não vale me perguntar por quê.

Estou me desviando do assunto. Quero falar brevemente sobre uma pessoa que era uma pessoa do Pessoa: Álvaro de Campos, o cara com preocupações existenciais (ou não) que escreveu textos do exato modo como eu gostaria de escrever. A beleza não vem da forma, vem do conteúdo.

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Álvaro de Campos, um desenho

Não conheço todos os textos do rapaz, mas vou colocar aqui quatro inícios para despertar a curiosidade.

“Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.”
de Todas as cartas de amor são ridículas

“Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.”
de Passagem das horas

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.”
de Poema em linha reta

“Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido…
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.”
de Lisbon revisited (1926)

Todos os textos acima são muito bons! Na minha opinião, o melhor dele é TABACARIA. Nem coloquei o comecinho ali porque não quero fazê-los ler um trecho e esperar a página abrir para continuar a leitura. Leiam Tabacaria. Leiam.

Depois que me lembrei que a pessoa do Pessoa, Álvaro de Campos, tem vários textos, a única coisa que eu ficava pensando era “Tabacaria é um texto só? Não pode ser um texto só, não pode…” Bom, mas é um texto só, por incrível que pareça…

Como eu disse, não sei ficar falando se ele era um futurista, um cara da ciência ou afins. Essas coisas são para professores de literatura. Digo apenas que gosto muito, e que vale a pena conhecer um pouco dos escritos do Álvaro de Campos. Para ver mais textos, CLIQUE AQUI.

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